A um (des) conhecido
Quando ele dobrar a esquina,saindo do infinito que há depois das curvas,
ele estará já pronto para crescer comigo?
Nariz e boca...
Mãos e pés grandes, desproporcionais.
Espero triste e aflita
espero crente que ele virá.
Já tirei todos os espelhos da avenida
e a esquinas estão vazias.
Ele não tem pressa e pende
fruto adocicado da macieira...
Quando ele chegar
o que será de mim?
Talvez chova ao entardecer e a cor
do céu me confunda.
Talvez caia uma neve morna
um tapete de folhas se quede solidário.
Espero com intenção de paciência,
respirando...
um abraço que ele
e eu
e as cores todas
viverão
(2000)
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