Scarto in ritardo

Monday, September 30, 2013

Para quando o amor acabar

Hoje, amado, acordei e comecei a deixá-lo.
E já sentia saudades dos seus cabelos e
dos detalhes da barba (e suas falhas) antes de tirar os pés da cama.
Chorei dentro do carro a perda do seu timbre nos meus ouvidos.
E borrei toda a maquiagem uma dezena de vezes.

Hoje, amado, comecei a matar os planos
que fiz dentro de "nós"
e de tanta raiva do seu "saudades"
quis nunca sentí-la e
a
estou sofrendo
agora mesmo.

Sinto muito, amado,
 de quando você descobrir
que "forever"
significa
"nunca mais".

Sinto muito pela sua perda

se assim houver...

se aqui valia uma história,

mas

a

"saudade"

te

pareceu

mais

segura...

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Wednesday, August 07, 2013

Lirica

O chapéu na cabeça e o gosto dela
eu levo prá longe, prá longe eu vou.
No parapeito, lá está ela
eu levo as palavras que ela me falou.

O trem na colina, apita: é hora!
Vamu, que vamu. Vamu agora!
Um gole pra aguentar o baque!
Um cigarro! Ela que fique

Eu vou carpir o tempo todo, amor!
Vou carpir as flores que você deixou.

O mato cheiroso da estação
rima com ela até no "não"
Ela disse o seu 'assim seja' duvidando
eu não volto nem com ela chorando.

Eu vou carpir a vida toda, amor
eu vou carpir as flores que você deixou.

A máquina trava no meu intestino.
Ela não veio nem acenar.
Pois bem! Que se faça o destino!
Ela que fique! Ela que se vá!

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Ela

O nome dela, os olhos lindos.
Ela dormindo é tão parecida comigo!
Atarracada, solitária, moribunda.
Tosse-cachorro, olhos vermelhos.
O lado dela é o lado de cá de mim.
Vou lá e faço-lhe uma carícia...
( Mas minha coragem é uma noz- tamanho e textura)
Se ela aceita o meu cuidado
sem pergunta e sem resposta
eu passo lá e dou-lhe um beijo
será o grande amor da minha vida!

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A um (des) conhecido

Quando ele dobrar a esquina,
saindo do infinito que há depois das curvas,
ele estará já pronto para crescer comigo?

Nariz e boca...
Mãos e pés grandes, desproporcionais.
Espero triste e aflita
espero crente que ele virá.
Já tirei todos os espelhos da avenida
e a esquinas estão vazias.
Ele não tem pressa e pende
fruto adocicado da macieira...

Quando ele chegar
o que será de mim?
Talvez chova ao entardecer e a cor
do céu me confunda.
Talvez caia uma neve morna
um tapete de folhas se quede solidário.

Espero com intenção de paciência,
respirando...
um abraço que ele
e eu
e as cores todas
viverão


(2000)

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Sobre Charles

O Charles que nunca beija,
hoje acordou com a língua entre os meus dentes.
O Charles que nunca amou,
acordou com o corpo dentro do meu.
Ele não sabia,
mas eu já o havia sintetizado em mim.
Meu ventre dilatou-se para recebê-lo
e esperá-lo.

Não importa a espera e a ocasião.

As ruínas do corpo dele ainda ardem
Deus, como ardem...
A voz dele ainda vem em ondas, perturbando meu estômago.
Provoca-me o vômito
e azeda minha boca.
As ruínas do sono dele,
engalfinham-se em demônios,
entram pelos meus ouvidos.
Gosto verdadeiro de vácuo
cheiro precioso de nada..
Ah! Meu ventre não aguenta,
tive que parí-lo...


Charles

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Caneta

A boca da musa na minha garganta. Hematófoga.
Uma legião de seres, olhos atentos no papel.
Vermelho é o tudo, ao contrário do que eu quero.
Mas tem que ser assim, porque assim é desde quando há de ser.
Nem relógio, nem parede, nem relógio de parede
que me salve.
A legião de seres se perpetua.
Não espero nada,
que ela se sacie.
E que minha mão não saia do esquife-linha,
submeta-se...

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Poesinha

Trata-se de poesia
não precisa de dicionário porque é de "faz de conta".
Todas as palavras são inventadas
e também a tinta e o papel.
É uma poesia da carochinha
e lembra um beija-flor miúdo que sequestrei quando criança.
Não, ela não nasceu para a Academia,
está aqui só para me lembrar...
É só uma poesinha
e tem um quê de "ciranda-cirandinha"

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Thursday, July 25, 2013

I'm so tired...

Cansei de horas tortas, curiosidades soltas, sorrisos amarelos,pés sem "pé nem cabeça",ligações não retornadas, pedidos ignorados, incompetência insone, tristeza ranzinza,caretas bobas, atrasos...atrasos. Cansei de me olhar no espelho e sempre ver algo novo, diferente, excitante... E me cansei, também, de ver quase tudo sempre igual.
Que tédio!
Cansei dessa forma doida de pensar. Que tal ser árcade? Que tal ser leve? Por que carregar o peso das ambiçõezinhas?? Os ombros doem e não vale a pena...
Mas a pena..a pena...a pena...
Cansei de estar nesse cansaço único, primordial e genético. E, em breves segundos terei saudades.
Saudades das horas tortas, curiosidades soltas, sorrisos amarelos,pés sem "pé nem cabeça",ligações não retornadas, pedidos ignorados, incompetência insone, tristeza ranzinza,caretas bobas...

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Ceramica


Mãos...,
que num silêncio grosso como um nó,
acham notas multicores,
de mil sabores e de um só.

Talhadas em pedra sabão,
mãos do noivo, amado salomão.
Tocam cantar, torcer, provar,
salmodiar
o explorar da mão.

Vaso, morno... placido casulo,
é o barro a desejar tuas mãos.

O áspero te faz salgado,
o liso, o adocicado
e o umido é uma pele airosa
torcida nos pelos da amada.

Não há nada que fale mais de amor
que este instante surdo e mudo
em que passeia tua mão pelo corpo dela.

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Sunday, June 22, 2008

Decolores

Decolores

No passo contido e triste do decolores
o cortejo vai indo
e caindo
uma chuva maldita de flores.

Maldito o dia tão lindo
em que você quis sair do mundo.
Por que não houve névoa e granizo?
Por que este dia é tão limpo, tão liso?

Lá de longe se ouve com exatidão
as mulheres carpideiras,
choradeiras,
cantando um decolores cheio de escuridão.

Nesse passo contido e triste da sua ida
lhe acompanho com um olho só.
Meu corpo ficou aqui, mas a alma atada por nó
só quis viver, só quis ficar
onde sua graça é verde e seu sopro é vida.

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Friday, February 15, 2008

Nesta hora, uma mariposa à toa decidiu iniciar uma revoada e meu corpo sentiu depressa o tapa do vento na cara.
Depressa é que se foi um tremelique.Ficou só uma lerda cicatriz de saudade...

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Sunday, February 10, 2008

Scarto

- Te incomodo?
- Tu me habitas como uma ânsia!
- Posso te deixar...
- Não aceito!
- Posso te aquecer...
- Não aceito!
...silêncio...

- Desejo ainda poder enterrar-te os meus dentes.
Como um castigo, uma recompensa.



Terei de te envolver sem piedade, num abismo do qual não podes te salvar, porque não te quero ver a voltar deste sono agitado.
...silêncio...

- Vomita-me!
- Não aceito!

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Tuesday, May 08, 2007

Pífio

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